Sebastião Tapajós

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Sebastião Tapajós

O renomado músico santareno Sebastião Tapajós prepara em sua terra natal, às margens do rio cujo nome adotou para si, mais um show em sua longa e produtiva carreira. Dessa vez, o motivo é celebrar 74 anos de vida.  O diálogo entre o violão mágico de Tapajós e o piano de Anderson Dourado será o diferencial desse show, pianista que já trabalha com Sebastião desde o disco “Da Lapa ao Mascote”, lançado em 2013.

O nome do espetáculo, “Por entre as árvores”, que também é o título de uma das canções do show, define a vontade do músico de transportar o ambiente sensorial de sua residência, em Santarém, para dentro do palco.  “A música tem esse nome por conta do ambiente onde foi composta, na sala de ensaios que fica em frente a muitas árvores. Entre elas, a visão do Rio Tapajós, que Sebastião diz que é sua piscina de 20 mil quilômetros de extensão”, brinca Dourado, que encara junto a Sebastião Tapajós a missão de preparar os arranjos de piano das composições.

De acordo com o pianista, praticamente 80% das composições são inéditas, o que cria grande expectativa no público de Sebastião. “O estilo das canções representa a essência da música brasileira, com foco no regionalismo característico, no que foi conhecido mundialmente como ‘o violão de Sebastião Tapajós’”, reporta Andreson.

De fato, Sebastião Pena Marcião, como conta Alfredo Oliveira em seu já clássico livro “Ritmos e Cantares”, é talvez o músico amazônico mais celebrado internacionalmente. Nascido em um barco que navegava pelo baixo Amazonas, ele começou a tocar cedo, encantado pelos seresteiros da região. Veio para Belém onde integrou o grupo de baile “Os Mocorongos”, sempre com destaque a seu virtuosismo. Estudou em Portugal e na Espanha, onde também se apresentou, causando sempre grande impacto em seu público.

Desistiu de ser professor de música em Belém e mudou-se para o Rio de Janeiro em 1967, onde não parou de encantar o público e foi contratado por várias gravadoras, chegando a gravar oito discos em três anos pelo selo do argentino Astor Piazzola. Sua carreira internacional deslanchou. Caiu nas graças principalmente da Alemanha, onde gravou dezenas de discos. Hoje já se vão mais de 50 gravados e mais de 500 séries de espetáculos por pelo menos 30 países.

Apesar disso, Tião, como é conhecido pelos amigos, é pessoa humilde, simples e generosa, que cita os parceiros paraenses com frequência, segundo o próprio Alfredo Oliveira. Hoje um tanto recluso em Santarém, ele se concentra nos arranjos do novo show, dedicado que é ao trabalho. Mas a partir da próxima segunda-feira, 18, ele estará em Belém para falar com a imprensa e os amigos.

Com estilo único e inconfundível, o violão de Sebastião Tapajós viaja por uma harmonia densa e melodias fluídas ora delicadas ora cheias de ataque percussivo. Os nomes de alguns de seus primeiros discos de sucesso dão o tom dessa magia: “Guitarra Cósmica” (1968), “Guitarra Fantástica” (1974) e “Guitarra Crioula” (1982), que ganhou o prêmio de Disco do Ano na Alemanha. Profícuo em sua produção, Tião lançou em 2015 seu mais recente disco “Aos da Guitarrada”, em que, como um artista midiático, dialoga e festeja com o celebrado gênero paraense.

“Para ser bem sincero, o violão é a razão da minha vida. Ele é para mim, desde a minha infância em Santarém, a ajuda indispensável para uma boa comunicação”, disse ele certa vez nos idos 1970. Sebastião é um artista como poucos. Um verdadeiro tesouro do Tapajós.

ROTEIRO DO SHOW

  • Milonga do Sabiá  (Sebastião Tapajós)
  • Arariá     (Sebastião Tapajós)
  • Ana Cam (Sebastião Tapajós)
  • Tributo à Edna    (Sebastião Tapajós)
  • Um pro Ney         (Sebastião Tapajós)
  • Por entre às árvores    (Sebastião Tapajós)
  • Amigos do recife        (Sebastião Tapajós)
  • Emanuele          (Sebastião Tapajós)
  • Rei Solano    (Sebastião Tapajós)
  • Aos da guitarrada    (Sebastião Tapajós)

Piano: Andreson Dourado e Sousa

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